As transformações da indústria de software

Maior alcance, velocidade e controle de qualidade garantem o impacto positivo do “Software as a Service” (SaaS) para os empreendedores.
Na nova era do “cloud computing” (computação em nuvem), o “Software as a Service” ou SaaS é uma modalidade radicalmente diferente de vender e usar softwares. Em uma analogia com o sistema de energia elétrica, em que usinas e centrais elétricas geram a energia que será consumida em cada casa ao simplesmente ligar os aparelhos em tomadas, no modelo “Software as a Service”, o cliente final precisa apenas conectar seus dispositivos (PC, tablet, smartphone) à Internet para usar aplicativos instalados em um DataCenter, onde os dados e programas são geridos profissionalmente de forma centralizada, incluindo as questões de versão, update e correções. Como já está tudo pronto, o tempo de projeto é muito menor, comparado ao modelo tradicional. E, melhor ainda, pagando tudo como um serviço mensal, em vez de fazer grandes investimentos upfront.
No modelo tradicional, uma empresa desenvolve o seu produto, vende uma licença de uso e entrega CDs para a instalação. O cliente precisa comprar hardware, instalá-lo numa infraestrutura especializada, ligá-lo na rede da empresa e instalar o software (no caso de um software básico ou de plataforma, como banco de dados ou middleware). No caso de um pacote aplicativo de negócio, vai ter quer comprar também serviços para customização e implementação.
Já com o sistema em produção, o cliente deverá instalar updates de atualização (para corrigir erros e eliminar brechas de segurança, por exemplo), que fazem parte do contrato de manutenção. Quando uma nova versão for lançada, precisará de um novo projeto, não somente para migrar todo o sistema, mas para fazer upgrade de hardware, equivalendo-se ao nível de sistema operacional da nova versão.
Tipicamente, o Software as a Service (SaaS) é um modelo ideal para pequenas empresas, que não precisam ter a sua área de tecnologia da informação, mas também se aplica a grandes e médias empresas, para projetos departamentais nos quais a necessidade de negócio exige uma velocidade maior de implantação inicial. Além disso, após o primeiro ano de operação em regime de produção, é possível transferir o projeto para dentro da área de TI da empresa.
Para o empreendedor da área de software, o impacto é muito positivo. Ganha-se alcance, pois o produto fica disponível pela Internet. A velocidade de adoção é muito maior, uma vez que o investimento upfront é substituído por um serviço mensal, além de eliminar a fase de investimentos em hardware e infraestrutura. O controle da qualidade do produto é imediato, pois não depende do cliente instalar as correções, tudo é feito de maneira centralizada de forma que a última versão esteja disponível para os clientes simultaneamente.
Permanecem, no entanto, alguns pontos de atenção, que não se alteram para o modelo SaaS: desenvolver o software usando padrões abertos de mercado garantem que o cliente possa integrá-lo com outras aplicações; capacitar uma rede de implementadores; e preparar a força de vendas para identificar os benefícios para o negócio do cliente, pois o software não se vende sozinho pela Internet.
Raul Miyazaki é Diretor de Contas Estratégicas de Financial Services da Oracle do Brasil.